Cada um é responsável pelos próprios sentimentos?

 
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Ando um pouco preocupada com a interpretação equivocada da expressão “somos responsáveis pelos nossos próprios sentimentos” que algumas pessoas que praticam a Comunicação Não-Violenta (CNV) estão assumindo nos seus relacionamentos próximos (pessoas próximas a mim também).

Esta afirmação, que tanto usamos na CNV, tem como propósito nos oferecer uma oportunidade de nos conscientizar da nossa responsabilidade em atender nossas próprias necessidades, sem “despejar” nas outras pessoas uma expectativa de que elas tem obrigação de cuidar daquilo que é, na verdade, importante para nós. E sob esta perspectiva, esta consciência é libertadora ao despertar nossa criatividade para criar estratégias mais efetivas para cuidar das nossas próprias necessidades.

Entretanto, quando falamos de uma relação, pressupomos que as pessoas envolvidas nela compartilham coisas que são importantes para ambas, e sobretudo, para a própria relação. Em outras palavras, para uma relação existir, ela precisa ser cuidada, nutrida, e é exatamente isso que queremos na perspectiva da CNV. Estamos buscando o que chamamos de ganha X ganha, autenticidade + cuidado andando lado a lado, sem um sobrepor o outro.

Neste contexto, não faz sentido simplesmente fazer aquilo que se quer, desrespeitando os acordos que foram estabelecidos na relação, e justificar esta atitude com a afirmação “não sou responsável pelos seus sentimentos”. Isso é se isentar de responsabilidade e descuidar da relação, é jogar no ganha X perde (você ganhado do outro). E não, isso não tem nada de CNV ;-)

*Comecei a escrever este texto há alguns dias e hoje, depois de uma manhã de conversa sobre o tema, o refinei, meu amigo escritor maravilhindo que também estuda, pratica e facilita CNV, Tales Gubes, publicou seu texto do dia sobre a mesma reflexão ❤.

 
Thayna Meirelles