Como cheguei à Comunicação Não-violenta? Relembrando aquilo que já sabia! ❤

 

Minha história de transição de carreira…

Finalmente, coloquei em palavras esta parte da minha história.

 
 
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Bom, preciso iniciar contando que a minha história na Comunicação Não-Violenta (CNV) começou muito antes dela… Começou com a “abordagem centrada na pessoa” e o Centro de Valorização da Vida (CVV), cuidado para não confundir as siglas, ok?

Capítulo 1 — Como tudo começou… Voluntariado no Centro de Valorização da Vida

Em 2011, decidi finalmente executar um antigo plano de dedicar parte do meu tempo a um trabalho voluntário. Eu me lembro que o requisito fundamental para escolher a que trabalho me dedicar era: um trabalho em que eu pudesse doar “eu mesma” por um tempo à outras pessoas. Isso significava que eu não queria usar meu tempo para fazer algo (tipo cozinhar) ou entregar algo (tipo alimentos ou roupas) para as pessoas, mas queria mesmo estar com elas, doar a mim mesma, minha atenção para alguém. Eis que, durante minha busca na internet, encontrei um convite para ser voluntária do Centro de Valorização da Vida (CVV), uma associação que oferece apoio emocional às pessoas que querem e precisam conversar com outras pessoas.

Agora, preciso acrescentar que esta minha escolha, com certeza, teve a ver com o que eu estava vivenciando naquele momento — um despencar ladeira abaixo! No ano anterior, eu havia me mudado de Salvador para São Paulo cheias de planos: fazer um doutorado na USP e casar-me em breve com o noivo que viria da Bahia no ano seguinte (meu objetivo também era, pois, preparar o terreno para quando ele chegasse). Um ano depois, eu estava solteira (só a CNV me ajudou a aceitar que abandonada não é um termo muito responsável… falamos disso em outro capítulo rs) e completamente desiludida com o doutorado, no qual eu estava o tempo todo “tendo que” acatar ordens e ideias de uma outra pessoa, mas que faziam pouco ou muitas vezes nenhum sentido para mim. Para acrescentar, vinha levando, desde que havia chegado na grande capital, uma rotina “casa-trabalho” que não tinha me ajudado a fazer muitas amizades.

Neste cenário, eu não estava nada bem e sentia que também precisava conversar com outras pessoas. As pessoas próximas (que estavam longe) já não me aguentavam falar sobre o ex-noivo, me cobravam uma reação e me diziam que eu era “muito forte” para estar sofrendo por alguém que claramente “não me merecia” — Afinal que tipo de homem rompe um noivado por SMS? Eu tentava, mas não conseguia superar com a facilidade que as pessoas me cobravam e cada vez, sentia mais culpa, por estar sofrendo, por não superar e por estar doendo tanto, mais do que outras perdas, como a morte de uma tia que havia acontecido pouco tempo depois do rompimento. Senti muita, muita culpa por isso.

Então, aquele convite para escutar pessoas que eu não conhecia me pareceu muito interessante. Ocupar meu tempo e minha cabeça com os problemas dos outros parecia uma opção muito boa para mim, alternativamente a ler histórias de personagens de romances por horas a fio, como estava fazendo já há alguns meses — uma média de dois romances a cada três dias, tudo para não ter que encarar minha própria vida — e além disso, parecia muito mais útil socialmente, ideal para alguém que sentia tanta culpa.

Foram quase três meses de treinamento que me transformaram e sobretudo, ajudaram a me curar de dores que eram tão grandes. A metodologia utilizada pelo CVV era baseada na “abordagem centrada na pessoa”, criada pelo psicólogo Carl Rogers, cujos elementos fundamentais, dentre outros, são a aceitação da outra pessoa como ela é, a compreensão do que ela está vivenciando e sentindo e a confiança plena na capacidade que o outro tem de chegar às suas próprias conclusões e tomar decisões por si mesmo. O treinamento era na prática e nós “alunos” escutávamos uns aos outros enquanto éramos escutados e supervisionados pelos voluntários mais experientes. Tenho tantas lembranças boas daqueles dias! Nós aprendizes compartilhávamos aquela impressão de estar convivendo com seres “mais evoluídos” tamanha era a capacidade que os mais experientes tinham de acolhimento e amorosidade e absolutamente sublime era o campo de confiança que se criava a cada encontro.

Os meses de treinamento foram curativos e os meses de trabalho que se seguiram foram absolutamente transformadores. Vou aproveitar este momento do texto para compartilhar algo que digo bastante nos meus cursos: até hoje desconheço melhor maneira de desenvolver empatia do que trabalhar como voluntária no CVV. E tenho consciência que só dá para entender a dimensão do que estou dizendo, experimentando. Conversar com pessoas que tinham muitas vezes (quase a maioria das vezes) valores tão distintos dos meus e acolhê-las, de maneira regular e semanal foi um treino e tanto.

Foram os atendimentos no CVV que me fizeram entender que as outras pessoas são diferentes de mim e como tal não tem que fazer o que eu faria, em determinada situação. Assim, aprendi que aconselhar ou exigir atitudes de acordo com a minha história de vida não eram a melhor coisa que podia fazer pelos outros. Da mesma maneira, aprendi que dor é dor e ninguém pode mensurar o sofrimento do outro. A minha dor não era maior, mas também não era menor do que a dor de ninguém, assim como a dor do rompimento de uma relação afetiva-sexual não era maior, mas também não era menor do que a dor da perda de um familiar. Todas as dores eram válidas, as minhas e as dos outros, assim como são as suas também. Foi neste período também que me livrei de muitos preconceitos, quando passei a me perguntar se as escolhas que havia feito na minha vida até ali tinham sido minhas ou tinham sido apenas por influência ou para atender expectativas de outras pessoas. Isso porque passei a aceitar diferentes perspectivas e possibilidades como igualmente válidas.

E como foi este processo? No início, sim, foi treino, uma metodologia que estudava e aplicava. Com o tempo, fui me transformando no processo, e agir assim, escutar assim passou a ser cada vez mais natural, como preconizava Carl Rogers ao falar do amadurecimento daquele que escuta, e tal e qual asseguravam os voluntários mais experientes. O maior ganho? Quando consegui olhar e aceitar o outro, passei a me olhar e a me aceitar, a buscar minha autenticidade e a querer cuidar dela, a validar também o que eu sentia. Finalmente, deixei de sentir culpa por não ser, muitas vezes, quem as outras pessoas ou a sociedade esperavam que eu fosse, e o mais importante: deixei de querer ser aquela pessoa.

Se você quer saber mais sobre o Centro de Valorização da Vida, acesse: www.cvv.org.br

Capítulo 2 — Vida que segue — Ops!

Atendi no Centro de Valorização da Vida (CVV) por quase dois anos, entre uma saída e um retorno… e no início de 2013 deixei de atender completamente quando me mudei para a Espanha. A vida nova, o trabalho novo e a nova rotina tornavam difícil conciliar as antigas atividades. Minha mudança para Barcelona tinha como justificativa fazer meu último ano do doutorado, o que na carreira acadêmica chamamos de “sanduíche”, mas na verdade, era uma verdadeira fuga.

Lembra que desde que entrei no CVV já estava desiludida com o doutorado? Pois é, isso não melhorou nos dois anos seguintes… e antes que você me pergunte porque então eu havia continuado com ele, a resposta é: “porque deixá-lo era uma decisão muito importante a se tomar, e talvez eu não estivesse em um momento muito propício para fazê-lo, estava confusa” dizia o meu terapeuta na época (e fui empurrando literalmente com a barriga), e tão pouco, eu fazia ideia do que gostaria de fazer profissionalmente se resolvesse deixar de lado a carreira acadêmica tão sonhada e planejada lá atrás. Aqui acho importante contar que “seguir a indicação” do meu terapeuta pareceu mais fácil e cômodo naquela época (eu ainda não bancava tanto essa tal auto responsabilidade com hoje), além disso, sentia muito medo dos julgamentos que os outros fariam de mim ao tomar a decisão de desistir. Afinal, desde a Universidade, eu vinha “construindo” uma imagem de acadêmica exemplar. Era do tipo “admirada”, “elogiada”, “inteligente”, tinha um futuro “brilhante” como pesquisadora, e ainda era difícil abandonar este papel, embora a cada dia fizesse menos sentido para mim.

Então, em meio a este contexto, eu tinha uma bolsa de estudos que me possibilitava desenvolver o último ano do meu doutorado no exterior, e eu queria viver aquela experiência, e não era pelo doutorado. Naqueles dois anos de CVV e de terapia, eu havia descoberto muito sobre mim mesma e queria experimentar como seria viver a partir daquele novo referencial. Morar fora do Brasil, me parecia uma excelente oportunidade para viver o novo, me re-inventar, conhecer novas pessoas, aprender um novo idioma, etc. Foi aí que começou mais uma luta sobre relacionamento interpessoal e hierarquia. O meu orientador da época não queria me “deixar ir”, dizia que não era o momento, “quem sabe num pós-doutorado”… Hein? Para tudo! Um dos motivos pelos quais eu havia começado o doutorado naquele grupo e programa tinha sido justamente o fato de que havia um incentivo para o “sanduíche”, e agora, após dois anos e meio, o discurso mudava completamente. Senti frustração e raiva ao perceber que, mais uma vez na vida, eu não estava sendo escutada e uma outra pessoa queria decidir o que era melhor para mim. O cenário mudou quando decidi e informei à meu orientador que se não pudesse usufruir da experiência no exterior, iria defender minha tese com os mínimos 3 anos que quase se completavam. Diante desta minha decisão, recebi a “aprovação” para fazer a viagem, e Barcelona surgiu como a alternativa possível para o projeto em que trabalhava na Época (diriam alguns, uma grande sorte).

Assim, morei meu primeiro ano em Barcelona. Tenho duas coisas pra contar sobre esta época, em relação ao que estamos conversando. A primeira é que jamais havia experimentado tamanha liberdade de ser quem eu queria ser, começando do zero em um lugar onde ninguém me conhecia previamente. Se você já viveu esta experiência, sabe do que estou falando. A ausência de expectativas que as outras pessoas tinham em relação a mim, permitiram que eu fosse cada vez mais autêntica, mais eu mesma, me experimentasse e me reconstruísse, e isso era exatamente o que eu estava precisando naquele ano. A segunda é que logo no início da nova experiência profissional, eu parecia ter reencontrado alegria e felicidade fazendo pesquisa na área médica. Naquele novo grupo, fui reconhecida e valorizada. Eles recém começavam a trabalhar com o tema enquanto eu já tinha experiência de 3 anos. Assim, assumi muita atividades e me sentia plena trabalhando em um lugar onde havia diálogo, colaboração, escuta, consideração e horários flexíveis, experimentava a negociação em prol do bem-estar. Um dia, ao pedir a meu supervisor dois dias de folga para fazer uma viagem de turismo, escutei: “você pode fazer o horário que quiser, desde que cumpra com suas responsabilidades e eu confio que você vai cumprir”. Era disso que eu precisava em um ambiente de trabalho. Me sentia realmente feliz e paralelamente, investigava atentamente de onde vinha aquela satisfação e o que tinha sido responsável pela minha insatisfação anterior com a carreira acadêmica. A cada dia ficava mais claro para mim que era a maneira pela qual os relacionamentos eram construídos naquele espaço, se eram relações saudáveis ou não.

Então, no final das contas, não era sobre ciência, era sobre pessoas!

Quando voltei pro Brasil, em 2014, escrevi e defendi a tese, e na sequência não tinha certeza sobre que caminho profissional seguir… havia recebido um convite do meu supervisor na Espanha para fazer um pós-doutorado com ele por 2 anos, e a outra alternativa que eu ainda enxergava naquele momento, era a antiga estratégia de fazer um concurso público. Pedi a bolsa do pós doutorado, e ao mesmo tempo, me inscrevi e comecei a estudar para dois concursos. A bolsa saiu e diante do cenário profissional que havia experimentado no ano anterior, decidi aceitar e voltar para a Espanha, afinal havia sido feliz trabalhando (e vivendo) naquele lugar.

Capítulo 3 — Quando não é pra ser, o Universo dá um jeito da gente perceber!

De volta à Barna (apelido carinhoso de Barcelona), me sentia um pouco confusa. Muitos amigos, de quase um ano atrás, já não estavam mais lá e o cenário no trabalho se apresentou bem distinto do que havia experimentado anteriormente, em pouco tempo. Havia uma tensão no ambiente e em bem pouco tempo comecei a sentir tristeza e frustração. Naquela época já podia perceber com clareza que o “problema” vinha exatamente das relações, sobretudo das hierárquicas. A compreensão, colaboração e escuta que citei antes haviam desaparecido como num passe de mágica. Conversei com meu supervisor sobre minhas percepções e sentimentos e lhe relembrei com clareza a motivação que me havia feito aceitar seu convite e retornar para trabalhar no seu grupo de pesquisa (digo relembrar porque eu tinha o costume de conversar com ele sobre estas coisas).

Hoje tenho clareza que a maneira como dialogava já tinha muita influência do que havia aprendido no CVV. Expressava minha vulnerabilidade com muita verdade e ele se conectou com o que eu dizia e também escolheu ser vulnerável. Compartilhou comigo que vivia um momento bastante difícil com sua família, enfrentavam juntos alguns problemas, que incluíam questões de saúde e não estavam sabendo lidar. Lembro deste momento com gratidão, e admiro a coragem que nossa conversa lhe despertou para compartilhar, uma semana depois, com toda a equipe o que estava vivendo. Claro, eu não era a única que estava sentindo os efeitos do seu comportamento e inabilidade de lidar com suas questões emocionais. Naquela época, o grupo era formado quase somente por mulheres (havia um homem, mas que acabava de chegar) e todas estavam “sofrendo” pelo tratamento, digamos autoritário e distante que lhes estava alcançando. Embora tenha ocorrido a partilha que mencionei, os comportamentos não mudaram, e foi assim que em pouco tempo me tornei uma espécie de “segura onda” do ambiente. Lembro de alguns dias em que chegava ao trabalho, e a única coisa que minhas companheiras de equipe precisavam era de apoio e escuta e eu lhes oferecia. Conversávamos muito, cuidávamos umas das outras e a “produtividade científica” era algo que claramente estava em segundo plano para todas nós.

Aquele cenário me mostrava mais uma vez que as relações eram o que realmente importava e não os temas, as áreas, as especialidades ou seja mais lá o quê. Comecei a repensar seriamente “mudar de carreira” e comecei a ler e a fazer cursos que me apoiavam a refletir e fazer novas escolhas. Em meados de 2016, fiz um curso: O acampamento do guerreiro iluminado. Foi minha amadíssima irmã que me recomendou, insistiu e viabilizou financeiramente minha participação naquela experiência, que mudou a minha vida, mesmo. Voltei daqueles 5 dias de imersão com a certeza de que dedicaria a minha vida a algo que fizesse sentido para mim e que tinha o direito de estar feliz profissionalmente. Algumas semanas depois, pedi meu desligamento do trabalho, decidi não aceitar a oferta de continuar na Universidade de Barcelona, com um cargo de pesquisadora, e decidi que iria reconstruir minha carreira profissional no Brasil, era hora de voltar pra casa.

Nos 2 meses que se seguiram ainda em Barcelona (aguardava o final do meu contrato vigente), eu investiguei, como lição pós curso, de que maneira contribuía para a vida das pessoas à minha volta. Escutei algumas coisas que me marcaram e me inspiram até hoje. Uma colega me disse que não sabia explicar, mas que eu tinha uma energia que era boa de ficar perto, que quando ela se sentia incômoda na interação com alguém, ela tinha vontade de ficar perto de mim e conversar comigo. Uma outra amiga me disse algo que acredito que resume o meu trabalho atual com a Comunicação Não-Violenta:

Quando você fala sobre algo que você acredita, seus olhos brilham e você transborda felicidade. Dá vontade de sentir a mesma coisa que você está sentindo e por isso, as pessoas se aproximam de você e querem também viver aquilo, é inspirador.

Capítulo 4 — Como a Comunicação Não Violenta finalmente apareceu na minha vida, ou relembrando aquilo que já sabia! ❤

Foi assim que retornei ao Brasil em dezembro de 2016. Após um mês e meio em Salvador matando as saudades da família, embarquei para outro curso no Rio de Janeiro: um curso de missão de vida. Neste curso, a empatia se fez totalmente presente, sobretudo quando eu percebia a dificuldade das pessoas de escutar uns aos outros durante as dinâmicas do curso, propostas naquele final de semana. Ao final da experiência, saímos com a expressão da intenção de como queríamos servir o mundo, a partir daquele momento, e compartilho com vocês o meu “trabalho final” rs.

Desta vivência, fui direto para uma outra, que ocorreu em um sítio, ente o Rio e São Paulo. A imersão As prisões, facilitada pelo escritor Alex Castro, cujo trabalho eu já acompanhava há uns 2 anos. Atualmente, o Alex chama este encontro de “As Prisões: Práticas de Atenção”, mas na época que fui não se chamava assim e na verdade, eu não fazia ideia do que iria acontecer por lá. Tal foi minha surpresa quando aquela vivência de 3 dias se revelou na criação de um espaço seguro de compartilhamento e escuta das nossas histórias de vida. Algumas pessoas partilhavam e outras escutavam, havendo algumas “regras” do que não se podia fazer/dizer, e era isso que garantia a criação do tal espaço seguro. Foi nesta imersão, que escutei falar pela primeira vez da Comunicação Não-Violenta. Uma outra participante me perguntou se eu “fazia” CNV, eu lhe respondi que não sabia o que era aquilo. Ela me disse então: Você devia procurar, tem tudo a ver com você. Algumas semanas depois, já em São Paulo, cidade para a qual havia decidido retornar pelas diversas oportunidades de aprendizado, escutei uma outra pessoa me dizer algo parecido, desta vez algo mais aproximado a: Você não conhece CNV? Nossa, parece que você faz CNV.

Eu não resisti, comecei logo a buscar o que era essa tal de CNV e os cursos e vivências que haviam na cidade. Não demorei a encontrar o grupo no Facebook, onde encontrei uma “oferta” de vivência regular e semanal oferecida na UFSCAR, pelo hoje querido amigo e maravilhoso facilitador Zare (Cesar) Ferragi. A vivência proporcionada neste grupo foi incrível, um total de 8 meses de muitos encontros, diversas trocas, aprendizados e diferentes facilitadores, ao mesmo tempo que já nos experimentávamos facilitar a partir das nossas experiências e realidades. Escrevendo agora, bateu uma saudade! Em paralelo, fiz diversas outras vivências com diferentes facilitadores: Dominic Barter, Fabi Maia, Lúcia Nabão, Sandra e Yuri, e participei de diferentes grupos de prática. Foram meses em que quando alguém perguntava o que eu fazia, eu respondia:

Estudo Comunicação Não Violenta!

As pessoas que me apresentaram a CNV, tinham toda a razão. Desde a primeira experiência, eu descobri que já fazia CNV, e mais tarde entendi o porquê ao ler no livro do Marshall Rosenberg (o sistematizador da CNV) que ele tinha sido aluno do Carl Rogers (o criador da abordagem Centrada na Pessoa), e havia se nutrido também dos seus ensinamentos para criar a CNV. Aquilo que já fazia tanto sentido para mim, se apresentava como uma nova abordagem, que eu costumo brincar que é um Upgrade daquilo que eu já sabia fazer. No CVV, eu havia aprendido a escutar, e a CNV me mostrou que eu também podia me expressar a partir daquela mesma linguagem, trazer de maneira consciente aquela forma de dialogar para os meus relacionamentos.

A partir daí, escolhi viver a Comunicação Não-Violenta. Uns 4 meses depois de começar esta jornada, fiz minha primeira facilitação e não parei mais. Tudo que havia aprendido como Educadora, desde a faculdade e também em sala de aula me ajudou muito. É, eu já amava falar sobre aquilo que me brilha os olhos! Estudar, praticar, escrever sobre CNV, facilitar. Hoje, sigo neste aprofundamento a cada dia e cada dia faz mais e mais sentido. CNV é uma escolha de vida porque não é uma técnica, é uma mudança de paradigma. Eu costumo dizer que a CNV veio ao encontro de tudo àquilo que eu já acreditava e queria viver na minha vida e nos meus relacionamentos. Viver minha autenticidade, podendo ser eu mesma nas minhas interações enquanto as pessoas com as quais eu me relaciono também podem ser elas mesmas na interação comigo. E se você agora der uma olhadinha novamente para a declaração que fiz da minha missão de vida, vai entender do que estou falando. ❤

Escolhi facilitar CNV porque acredito que para vivermos em uma sociedade autêntica, precisamos desenvolver a empatia também na sociedade. Sempre comento nos meus cursos, que todos queremos ser “livres”, fazer nossas próprias escolhas sem que ninguém nos “encha o saco”, mas não aceitamos que o outro faça o mesmo, estamos o tempo todo julgando, opinando e dizendo o que é ou deixa de ser melhor para o outro. CNV também é sobre isso e é muito mais. A cada dia e a cada experiência que tenho vivendo e trabalhando com a CNV, minha consciência amplia e a cada vez mais eu acredito que no dia que todos soubermos CNV, o mundo será muito melhor.

Vou ficar por aqui e deixar as definições sobre CNV para outro texto, já que o propósito deste era “apenas” contar como cheguei até a CNV e me tornei facilitadora. Mas quero sim compartilhar a definição mais maravilhosa que já li sobre CNV, oferecida pela treinadora de CNV Kit Miller e partilhada pelo queridíssimo amigo e companheiro de Jornada Tales Gubes:

A CNV é um processo de conscientização disfarçado de ferramenta de comunicação! ❤

Aposto que se você ainda não conhece a CNV, ficou com vontade de conhecer né? ;-)

 
Thayna Meirelles